Talvez esta parte da retrospectiva seja a única que já virou teoria ensinada em salas de aula – tudo graças a Chris Anderson, que publicou o livro The Long Tail (A Cauda Longa no Brasil). O nome peculiar faz referência ao gráfico de popularidade, que teve a seguinte mudança após o surgimento de algumas ferramentas nos últimos anos:

Eixo X são os artistas, saindo do mainstream (esq.) e indo até o underground (dir.). Eixo Y é a popularidade. A linha azul representa o século passado: enorme popularidade dos grandes artistas e valores próximos a zero para os alternativos. A linha vermelha representa os anos 2.000: a popularização dos artistas de nicho e a redução leve dos popstars.
Esta mudança no comportamento do mundo artístico todos já percebemos, mas quem são os culpados? O primeiro já falamos no artigo anterior: o download ilegal. Se as grandes gravadoras o abominaram, os artistas em geral o adoraram. Isso principalmente porque uma mídia que custava caro pra prensar agora era desnecessária: era só alugar algumas horas em um estúdio e soltar seu arquivo mp3 na web! Este foi o primeiro passo, mas ainda não era suficiente, pois não havia uma organização de conteúdo, era tudo baseado na indidação de amigo. Para o mainstream, a iTunes Store solucionou o problema organizacional, mas para o underground, foram as redes sociais as salvadoras da pátria!

E a tal geração MTV começa a perder espaço para a geração MySpace!
Apesar de já ter sido desbancado pelo Facebook como a maior rede social do mundo, o MySpace foi a rede social pioneira. A proposta era sensacional: o usuário cria uma conta, escreve um perfil falando sobre si e faz o upload de suas músicas. Os dados preenchidos no perfil facilitavam a segmentação, possibilitando que o público encontrasse exatamente o que queria ouvir. O formato foi um sucesso, e podemos citar a banda Arctic Monkeys como o símbolo da “geração MySpace“.
A parte mais irônica da história da banda britânica é que eles não sabiam que estavam no MySpace. Exatamente isso! Eles estavam fazendo tudo no método antigo: gravando demos e distribuindo em shows, mandando música para rádios, etc. Foram fãs que criaram o perfil e promoveram a mega-viralização das músicas. Pouco tempo depois, eles já chamavam atenção de gigantes do mainstream, como BBC Radio e MTV, tendo até um release de sucesso na iTunes Store. Quando finalmente assinaram com uma gravadora e lançaram o primeiro disco, o resultado não poderia ser outro: recorde mundial de vendas no lançamento!

Capa do disco de estréia da banda, Whatever People Say I Am, That's What I'm Not, que vendeu 363.735 cópias no primeiro fim-de-semana!
Este caso específico do mercado fonográfico simboliza uma revolução em todos os segmentos do entretenimento. O que o MySpace foi para a música, o YouTube foi para os videos, o Fotolog e o Flickr foram para imagens, o Blogger e o WordPress para textos e assim por diante. De repente, não é só a banda de MySpace que estava sendo comparada às do mainstream. Passamos a reconhecer blogueiros como editores (exemplo recente é o texto do Carlos Merigo que foi usado na prova do concurso para o Ministério da Comunicação), celebridades de YouTube como as de TV (quem não conhece o anão da infame Dança do Quadrado, ou então Jeremias José, o bêbado mais cool do Brasil?), twiteiros como formadores de opinião (Twittess, Cardoso…)!

Em quais destas você possui perfil?
Nos anos 2.000, qualquer um passou a gerar conteúdo e ter um público que, grande ou pequeno, era um público fiel e apreciador! Os artistas não dependiam mais dos veículos para divulgarem seu trabalho: a internet era um veículo público, gratuito e de grande alcance. Nos anos 2.000 alcançamos a democratização da informação e do entretenimento.
Leia os outros artigos da série Os Anos 2.000:
1. Retrospectiva da Era da Informação
2. Você comanda a TV!
3. Entretenimento sob demanda