Hoje vou falar de uma das principais mudanças culturais desta década: a forma como temos acesso ao entretenimento. Esta indústria já entrou nos anos 2000 abalada: softwares como Kazaa, Audiogalaxy e o famigerado Napster promoviam a distribuição gratuita de arquivos, em especial músicas no formato mp3. Foram diversas as tentativas das gravadoras de conter o avanço, mas a cada processo judicial ganho, os softwares e usuários se multiplicavam ainda mais. Quando tudo parecia perdido para o mundo da música, uma mente brilhante de um mercado até então sem muita conexão com este trouxe a salvação.

Se você sentiu nostalgia ao ver esta logo, parabéns, você é um nerd ancião da internet!
Em 2003, Steve Jobs resolveu entrar no mercado dos mp3 players. O problema é que outras empresas de renome (como a Sony por exemplo) já estavam presentes. Para obter sucesso, algo inoavdor precisaria ser apresentado. Por isso, junto com o seu iPod, a Apple lançou a iTunes Store: uma loja online de músicas. Qual foi a sacada? Primeiro o preço: em vez de pagar em torno de 25 dólares por CD (com 14 músicas, indiferente se você gostou de uma ou de todas), cada música avulsa custaria próximo de 1 dólar. Em segundo, a logística: não havia CD, não havia loja física, não havia frete. O consumidor comprava do conforto de sua casa, baixava o arquivo em seu computador e pronto! E terceiro, a ausência do sentimento de culpa. O download era legal.
E a Store não é acessível pelos browsers normais, apenas pelo iTunes!
Em pouco tempo, as gravadoras começaram a reviver. O download ilegal continuou existindo, claro, mas este novo nicho encontrado foi suficiente para manter os caixas saudáveis. Ao longo da década muitos atritos com a Apple levaram as gravadoras a ameaçarem sair da loja online, mas no fundo elas sabiam que não tinham escolha. O formato de música em mídia, que nasceu no LP, foi pro K7 e estava no CD, havia morrido para sempre.
Mas não pára por aí: com os avanços tecnológicos, a banda larga foi se popularizando e possibilitando o download de arquivos mais pesados. Na segunda metade da década quem começou a sofrer com os downloads foi a indústria cinematográfica! E como num replay, o mesmo processo foi seguido: começou com o total desespero, o dilúvio de processos judiciais, a tentativa de extinção do The Pirate Bay (assim como foi feito com o Napster), a quebra das locadoras de video (assim como acontecera com as lojas de CD) e terminou com a mesma solução sendo encontrada.

A história deste site é interessantíssima. Eles chegaram até a tentar fundar um país para fugir das leis de direitos autorais. Vale a pena conhecer!
Atualmente além de música, temos filmes na iTunes Store, mas em um modelo diferente: eles são locáveis, não compráveis. Como funciona? Você escolhe no catálogo, paga, efetua o download como nas músicas, porém este arquivo só funcionará por 48 horas. Como nas antigas locações. Para fugir da falência global, empresas como a Blockbuster tiveram que aderir à evolução e hoje contam com locadoras online neste modelo.

Eles até tentam um tipo de Mídia Delivery, mas o sucesso mesmo é o download!
E a terceira mídia passando por mudanças agora é o livro. Isso mesmo: com o crescente download de livros no formato PDF, a venda do artefato físico caiu também, e é nesse cenário que a Amazon introduziu o tal do Kindle. O que é o Kindle? É este aparelho que você vê na foto abaixo, no qual seus netos irão ler todo o conteúdo daquele monte de livro empoeirado da sua estante. Da mesma forma que músicas e filmes, os livros agora são comprados online e baixados para o gadget.

Ele permite até que você rasure seu livro, na tentativa de reproduzir fielmente a experiência original!
Eu poderia escrever mais uns 5 parágrafos falando de cada mídia, mas prefiro não me alongar. Acredito que ficou claro para todos nós que as gravadoras, produtoras e editoras perderam o comando do mercado. Agora quem comanda somos nós: o catálogo todo está a nossa disposição e iremos comprar exatamente o que queremos ouvir, ver ou ler. E se tentarem manipular? Bem… O download ilegal estará sempre aí.

O destino de todas as mídias físicas!
Este artigo se completa com o próximo capítulo da série, no qual falarei sobre a famosa teoria da Cauda Longa. Se ainda está díficil entender o choque cultural causado pela internet, tenho certeza de que ficará bem claro no próximo post!
Update: Coincidentemente, hoje mais um passo foi dado neste assunto! Gravadoras lançam um site em parceria com o YouTube para disponibilizar videoclips! Clique aqui para ver, a dica foi do @WebWagner!
Confiram o que já foi postado na série Os Anos 2.000:
1. Retrospectiva da Era da Informação
2. Você comanda a TV!
4 Comentários
hahh gosteii dessa dos livros…nunca tinha vistoo…agora nossos problemas com livros e mais livroos em estantes acabaram…
qndo será que um pouco dessa tecnologia chega às escolaas aqui no Brasil…anos 3000???
Long life to the king Torrent =D
meu hobby é ir na biblioteca……fudeu…..
hahahaha po não é bem assim em, eu msm tenho ipod, itunes (claro!), mas nunca comprei uma musica hahahahahaha